19 de maio de 2010
0

Políticos

por Revista Gotas

Parece, mas não é

Como todo mundo sabe (mas às vezes esquece), por trás de todo profissional existe um ser humano. E os seres humanos sentem, pensam, têm opinião. É essa a tese do Pio Figueiroa pra muvuca ao redor da candidata Marta no dia 30 de setembro. A foto 3 mostra que parte da multidão que aparece na foto 1 era formada pelos próprios jornalistas – o resto, pelos militantes se espremendo em volta da candidata para fazer número. “Nesse caso, os fotógrafos acabaram participando de um teatro que em seguida retrataram”, diz Pio.

É aqui que ele embaça os óculos

No dia a dia da cobertura política, encontram-se dois personagens: o candidato e o fotógrafo. Para os dois, estampar a primeira página é um objetivo. No caso do fotojornalista, significa que ele conseguiu retratar um episódio de um modo conciso e relevante (não à toa, a medida é usada com frequência para atestar a qualidade de um profissional). No caso do candidato, significa que ele vai estar na cabeça das pessoas. Os marqueteiros, gente treinada sob a lógica de qualquer imagem é melhor que nenhuma imagem, instruem os candidatos com pequenos truques, que geram fotos supostamente originais – aqui vale o supostamente, já que os truques estão sendo repetidos à exaustão já faz tempo. Quando chegaram na Moóca, primeira parada na agenda do Alckmin no dia 29 de setembro de 2008 (os assessores dos candidatos enviam, diariamente, para todos os veículos de comunicação interessados, uma lista do que o candidato vai fazer), os caras da Cia ouviram de um colega mais experiente: “É aqui que ele embaça os óculos”. Batata! Alckmin chegou minutos depois, quando todos os fotógrafos já estavam bem posicionados para a foto dos óculos com café.

Esses caras tão aprontando alguma coisa

Ser fotógrafo de um grande jornal ou revista é um posto bem disputado. Os veículos mais conhecidos fazem cursos de caça-talentos que peneiram gente do Brasil inteiro. Além
disso, dentro desses veículos, a cobertura de política é importantíssima. Assim, o mais comum é que os melhores profissionais sejam destacados para cobrir campanhas. Esse grupo de fotógrafos se conhece bem e, naturalmente, estranha a presença de um novato. Ainda mais quando o novato são três, clicam sem parar (para conseguir fotos simultâneas, o jeito foi clicar com o menor intervalo possível) e dizem que trabalham para o maior jornal do país (a Folha tinha outro fotógrafo em campo, responsável pela cobertura diária – os caras da Cia trabalhavam para um caderno que saía nos fins de semana). A reação foi a natural de quando sentimos que nosso território está sendo invadido. “Muitos fizeram questão de dificultar o nosso trabalho e uma das fotógrafas decidiu fazer fotos da gente fazendo fotos, no lugar de olhar para a cena que deveria estar fotografando”, diz Pio.

Comente

Nome: Site: E-mail:
Comentário: